A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece as diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho no Brasil, não é um assunto novo. Criada originalmente em 8 de junho de 1978, seu objetivo sempre foi reforçar a prevenção de acidentes e a proteção à saúde dos trabalhadores.
Mas o que tem feito essa norma ganhar protagonismo no cenário atual, deixando de ser um tema restrito aos fóruns de saúde e segurança ocupacional e passando a ocupar espaço no radar estratégico das empresas?
A resposta está nas atualizações recentes da NR-1. Desde maio de 2025, a norma passou a exigir a avaliação e o gerenciamento de riscos psicossociais, como estresse, burnout, assédio moral e sobrecarga de trabalho e metas, colocando a saúde mental dos trabalhadores no centro da pauta corporativa. Trata-se de uma mudança relevante, que amplia o conceito tradicional de segurança e saúde no trabalho e impõe às empresas uma nova forma de olhar para seus ambientes, processos e práticas de gestão.
As empresas terão até maio de 2026 para se adequar a essas exigências. A partir desse prazo, estarão sujeitas a fiscalizações que podem resultar em autuações e outras consequências significativas.
Esse novo olhar não surge de forma isolada. Ele está diretamente conectado ao modelo de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), introduzido pela própria NR-1, que estabelece a necessidade de um processo contínuo, estruturado e integrado de identificação, avaliação, controle e monitoramento dos riscos ocupacionais — agora incluindo, de maneira explícita, os riscos psicossociais.
Na prática, esse gerenciamento se materializa por meio do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), documento que consolida o inventário de riscos e o plano de ação da organização. O PGR deixa de ser um instrumento meramente formal e passa a exigir visão sistêmica, critérios técnicos, participação da liderança e integração entre áreas como recursos humanos, jurídico, compliance e saúde e segurança do trabalho. Para muitas empresas, especialmente aquelas que nunca trataram a saúde mental de forma estruturada, essa exigência representa um desafio não apenas operacional, mas também cultural e estratégico.
Entre os diversos riscos que o não atendimento à NR-1 pode trazer às empresas, destacam-se:
- Exposição jurídica: multas, autuações e ações trabalhistas podem gerar perdas significativas.
- Impacto na imagem: empresas que ignoram a saúde mental podem enfrentar danos reputacionais difíceis de reparar.
- Produtividade comprometida: estresse, sobrecarga, assédio e absenteísmo refletem diretamente nos resultados do negócio.
- Gestão complexa: adaptar políticas, processos e cultura organizacional exige metodologia, governança e experiência.
Mais do que cumprir uma obrigação legal, a atualização da NR-1 exige que as empresas repensem sua forma de gerir riscos e pessoas. Nesse contexto, o papel de uma consultoria especializada é apoiar as organizações na tradução dos requisitos normativos em práticas efetivas, estruturando o GRO e o PGR como instrumentos estratégicos de prevenção, conformidade e sustentabilidade do negócio.
Tratar a NR-1 apenas como um requisito regulatório pode significar perder a oportunidade de fortalecer a governança, proteger pessoas e mitigar riscos relevantes. Se a sua empresa ainda enxerga a NR-1 sob essa ótica limitada, este é um momento oportuno para revisitar o tema com maior profundidade e visão estratégica.
Autoras: Mariana Laselva e Brunna Batista