A COP30 pode ter passado, mas a agenda de Sustentabilidade e Clima não saiu da pauta — ela mudou de nível.

O que as empresas sujeitas ao IFRS S1 (Sustentabilidade) e S2 (clima) precisam começar a preparar em 2026.

Com o encerramento da COP30 em 2025, muitas empresas tendem a sentir que a “onda ESG” perdeu intensidade. Mas, para quem está sujeito às normas ISSB — especialmente IFRS S1 (divulgações gerais de sustentabilidade) e IFRS S2 (clima) — 2026 será justamente o ano em que a preparação deixa de ser tendência e passa a ser obrigação regulatória.

No Brasil, a CVM já sinalizou a adoção gradual das normas do ISSB, alinhando o mercado local aos padrões internacionais e trazendo a divulgação de impactos, gestão e desempenho ESG para o mesmo nível de rigor aplicado às demonstrações financeiras. A partir de 2027, as informações introduzidas por S1 e S2 deverão integrar as DFs e o relatório de governança e desempenho anual.

Os principais aspectos que as empresas sujeitas aos reportes S1 e S2 devem priorizar ao longo de 2026, são:

1. Governança da Sustentabilidade e Clima: do discurso ao processo formal

As normas exigem que a empresa demonstre não apenas compromissos, mas como o Conselho e a alta administração supervisionam riscos e oportunidades de Sustentabilidade e Clima ESG. Será necessário consolidar:

  • Comitês ou estruturas formais de supervisão;
  • Papéis e responsabilidades;
  • Evidências de que decisões estratégicas realmente consideram fatores ambientais, sociais, governança e clima climáticos.

2. Mapeamento e avaliação de riscos e oportunidades (materialidade)

O coração do IFRS S1 e S2 é a materialidade financeira de sustentabilidade e Clima. Será necessário documentar:

  • Processos de identificação e priorização de temas sensíveis e críticos;
  • Conexão entre riscos relacionados a Sustentabilidade e Clima e efeitos financeiros (receita, custo, ativos, P&L, fluxo de caixa);
  • Cenários de Sustentabilidade e Clima e horizontes temporais.

Em linha com as expectativas regulatórias da CVM, 2026 será o ano de realizar o primeiro ciclo completo de materialidade com rigor compatível com auditoria independente.

3. Dados, sistemas e controles internos

Como as divulgações passarão a integrar as demonstrações financeiras e estarão sujeitas a asseguração, os dados de sustentabilidade e Clima terão de ser auditáveis, na modalidade razoável, ou seja, 100% dos processos que corroborem os temas materiais das organizações, sendo necessário:

  • Criar trilhas de evidências;
  • Sistematizar a coleta de dados de Sustentabilidade e Clima;
  • Implantar e/ou aperfeiçoar controles internos;
  • Integrar os fatores de Sustentabilidade e Clima aos sistemas corporativos (ERP, gestão de riscos, compliance, pessoas, financeiro etc).

Esse movimento está totalmente alinhado ao direcionamento da CVM de elevar a confiabilidade das informações de sustentabilidade e clima ao padrão das informações financeiras.

 

4. Métricas, metas e mensuração de emissões (IFRS S2)

As exigências de S2, somadas às diretrizes da CVM para assegurar a consistência e comparabilidade entre companhias, tornam o tema prioritário. A partir de 2026 será necessário consolidar:

  • Inventários de emissões (escopos 1, 2 e, quando material, 3);
  • Métricas de intensidade de carbono;
  • Planos de transição climática críveis, com metas realistas.

5. Articulação entre sustentabilidade e clima com a estratégia

A narrativa será tão importante quanto os números — desde que seja consistente, coerente, verificável e alinhada ao plano estratégico. Passará a ser essencial demonstrar como fatores de sustentabilidade e clima afetam:

  • Modelo de negócios;
  • Estratégia de curto, médio e longo prazo;
  • Alocação de capital;
  • Inovação e resposta ao mercado.

6. Preparação para auditoria e asseguração das informações

O avanço regulatório da CVM indica que, a partir de 2027, as informações reportadas sob S1 e S2 deverão estar aptas à asseguração razoável independente. Portanto, em 2026, as empresas devem:

  • Definir o escopo com auditores;
  • Ajustar processos para garantir rastreabilidade;
  • Testar controles e governança.

7. Capacitação interna: o time precisa entender o novo padrão

S1 e S2 não são temas apenas da área de sustentabilidade, as áreas de estratégia, finanças, riscos, jurídico, compliance e operações precisam:

  • Entender conceitos do ISSB;
  • Compreender o que será exigido pela CVM;
  • Integrar sustentabilidade e Clima à gestão corporativa.

2026 será o ano de preparo — não apenas para cumprir normas, mas para integrar sustentabilidade e clima ao núcleo da governança, da gestão e do desempenho financeiro. O mundo pós-COP30 exige menos marketing e mais mecanismos concretos, controles, dados confiáveis e governança real.

Para quem está sujeito ao IFRS S1 e S2, sob supervisão crescente da CVM, a mensagem é clara:
2027 é o ano do reporte com objetivo de prestação de contas sobre a governança, gestão e resultados. 2026 é o ano da construção.

Fontes consultadas:
  • COP30 no Brasil: objetivos e prioridades. Disponível em: https://www.gov.br/mma
  • COP30: a COP da implementação. Brasília, 2025. Disponível em: https://www.gov.br
  • Novas normas internacionais emitidas pelo ISSB envolvem divulgação de informações relacionadas à sustentabilidade e ao clima. Brasília, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/cvm
  • Brasil é um dos países listados pela IFRS Foundation com compromisso de adoção dos padrões ISSB. Brasília, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/cvm

Autoras: Brunna Radichewski Batista e Meire Ferreira

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